Revolução Crespa: o que é?


A transição capilar é um assunto muito discutido atualmente. O processo tem o objetivo de recuperar a forma natural dos fios após aplicação de química presente em alisamentos e permanentes. Para as pessoas negras, também é uma busca pela identidade. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) “Revolução Crespa” mostra em plataforma multimídia a luta dos negros que decidiram assumir o cabelo cacheado ou crespo como uma forma de combater o preconceito estético. 

O projeto foi desenvolvido no segundo semestre de 2015 pelas estudantes de jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) Amanda Souza e Bianca Bion. O tema tratado é baseado na experiência própria de uma das alunas com a transição capilar. 

“Apliquei escova progressiva no meu cabelo cacheado por 11 anos. Depois de assistir a uma palestra sobre empoderamento negro, comecei a me questionar se escondia meu cabelo porque não gostava dele ou porque tinha aprendido a não gostar. Quando comecei a transição capilar, encontrei vídeos e grupos de discussão na internet, vi que muitas outras meninas também estavam passando pelo mesmo processo que eu. A partir disso, resolvi sugerir o tema a minha amiga, que se empolgou com a ideia”, afirma Amanda Souza. 

Um dos depoimentos que pode ser encontrado no website é o da cabeleireira Ladjane, que resolveu passar pela transição capilar por influência da filha, Lavinya.

No site, o internauta encontra informações sobre o processo e depoimentos pessoais sobre a importância de assumir o cabelo. Além disso, foi feito recorte político, econômico e social para entender porque tantas pessoas escolheram passar pela transição capilar.

Uma grande preocupação era mostrar como o preconceito interfere na estética. Assumir os fios naturais é muito mais do que seguir a moda para os entrevistados. “Colhemos depoimentos de pessoas que alisavam os cabelos porque sofriam discriminação e decidiram mudar para se valorizar como são. Percebemos que o preconceito com o cabelo ocorre na rua, no trabalho e até mesmo dentro da própria família negra.”, comenta Bianca Bion.  

Mesmo após a conclusão do curso, as autoras continuam a tratar do tema na página do Facebook Revolução Crespa.  O site Crespa pode ser acessado pelo endereço http://www.unicap.br/webjornalismo/revolucaocrespa.

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